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“Mães Leoas”: grupo bolsonarista expõe crianças para atacar vacinação

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O nome remete a proteção e cuidado. No fundo é só mais uma xaropada negacionista cheia de som, fúria e fake news. Mulheres bolsonaristas criaram o grupo “Mães leoas” para atacar a vacinação usando seus próprios filhos.
No Telegram, são mais de 3 300 inscritos.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 17, determina “a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem”. A lei não faz distinção sobre o fato de que quem pratica a exposição da criança ou do adolescente serem os pais. Todos podem ser criminalizados.

A médica e presidente da Sociedade Brasileira de Ozonioterapia Médica, Maria Emilia Gadelha Serra, publicou um vídeo em seu Twitter de um menininho sendo obrigado a repetir os sintomas mais graves causados pela vacina contra Covid-19.
Obviamente o pequeno não consegue falar “infarto do miocárdio”. Como se a capacidade de falar palavras difíceis determinasse quem pode e quem não pode ser vacinado.
Ozonioterapia é mais um tratamento sem comprovada eficácia que foi muito difundido pelo plano de Saúde Prevent Senior, juntamente com a hidroxicloroquina. Consiste em injetar gás ozônio, eventualmente no reto, por meio de uma sonda.

Maria Emilia tratou da mãe de Luciano Hang, que morreu como cobaia da Prevent Senior. 
“Não vou vacinar meus filhos com uma vacina que não é eficaz, que não protege. Vamos lutar juntas contra essa crueldade com nossas crianças”, diz uma outra mulher identificada como Tatiana.

Uma garota de 17 anos é vista em um dos posts. Ela fala que teve uma trombose no braço nove dias após tomar a vacina da Pfizer, sem, no entanto, apresentar prova alguma sobre o ocorrido.

Outra é obrigada a segurar folhas de papel onde se lê: “Não ao Passaporte Sanitário”. “Eu não sou covarde”, diz a menina, incentivada pela mãe.
Dados até 29 de novembro indicam que 558 crianças de 5 a 11 anos morreram de covid-19 no país. Foram 297 mortes notificadas em 2020 e mais 261 reportadas em 2021.
Superam a média anual de óbitos por moléstias circulatórias, paralisia cerebral e câncer no cérebro.

Fake news
Como toda a rede bolsonarista, esta também se vale de todo o arsenal notícia falsas contra vacinas. Um exemplo de desinformação vem do uso de mentiras de um site do governo estadunidense, que afirma que o tempo de estudo previsto para vacina da Pfizer na faixa de 5 a 11 anos vai até 2026.

Não é explicado que todo medicamento tem uma fase de estudos pós comercialização que é incluída nos testes clínicos.
Não poderia faltar a presença de “células de fetos abortados”. A postagem afirma ainda que a vacina da Pfizer foi “testada em bebês órfãos na Polônia, EUA e Espanha”.
O site bolsonarista “Tribuna Nacional” inventa que o número de crianças mortas subiu 44% no Reino Unido após a aplicação da vacina.

Fonte: DCM


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