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General que deixou governo acusa Secom de envolvimento com fake news

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Em meio a um cenário de ameaças de “ruptura” e de “medidas enérgicas” a serem tomadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, o ex-ministro do governo e general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz criticou a postura de integrantes do governo e do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, que apontam para uma possível participação das Forças Armadas em um golpe contra as instituições.

Ele negou que os militares estejam envolvidos em algo do tipo. O general também deixou claro que desaprova a atuação de aliados de Bolsonaro – e chega a citar a comunicação do palácio – no ato de “fazer calúnia, injúria, difamação” e na participação em “assassinatos de reputações”.

Para Santos Cruz, quem acha que as tropas dariam apoio a uma ruptura democrática hoje, ou não conhece as forças, ou usa, de propósito, o prestígio das instituições militares. “Essa é minha impressão, com a experiência de 47 anos de Exército, conhecendo as pessoas, a formação das pessoas. Eu acho que quem fala isso está querendo usar indevidamente a imagem das Forças Armadas. Nos últimos anos, passamos por várias crises, passamos por dois presidentes depostos por impeachment, governos de diferentes naturezas, com diferentes formações ideológicas, e as Forças Armadas mantiveram seu alto prestígio exatamente por não se envolverem em coisa de governo. Ou é uma visão distorcida ou é proposital”, disse o general, em entrevista ao Metrópoles.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) falou várias vezes em ruptura institucional em transmissão pela internet na noite desta quarta-feira (27/05). “O problema não é mais se, mas quando [haverá uma ruptura]”, disse o filho do presidente da República. Para ele, o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o financiamento a uma rede de notícias falsas e ameaças a autoridades, que hoje teve uma operação mirando influenciadores bolsonaristas, é ilegal e seus responsáveis precisam ser punidos.

Para Santos Cruz, as Forças Armadas não estariam com o governo ou com o presidente na situação citada pelo filho do presidente. “Em 1964 era uma outra situação. Foi 56 anos atrás. Era um outro mundo. Havia a Guerra Fria, havia realmente uma disputa de leste e oeste, tinha-se um bloco de países ocidentais e outro de países comunistas. A revolução comunista internacional estava em pleno andamento, treinando gente, exportando revolução. É outro mundo. Hoje, não. Você tem os três Poderes aí, tem um Congresso eleito, um presidente eleito. O que impede o funcionamento? O que impede o funcionamento são acertos pessoais. Eles que sentem na mesa e resolvam, pô. Fecha a porta e discute. Só isso”, aconselhou o general, que cobrou do governo uma “discussão de alto nível”.

“Ter desavenças, ter discordância, ou dizer que um Poder está ultrapassando o limite do outro. É preciso acertar essa independência aí, onde é que está o limite de cada um. Ver o que é ser independente. Isso é uma discussão de alto nível”, disse o general.

Santos Cruz evitou nominar, mas criticou a postura de militares com cargo no governo, que, para ele, não teriam força para mobilizar a tropa. “General no governo está em função civil, não tem nenhuma representatividade institucional. Quem comanda uma força militar é o seu comandante. Forças Armadas não têm nada a ver com isso”, disse.

Fonte: Metrópoles


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