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Coronavírus e a cronologia da incompetência em Rondônia

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Os pulsos do Coronel Marcos Rocha (PSL) e do secretário de Saúde Fernando Máximo estão mais frouxos do que a flexível regra de isolamento social encampada regionalmente


Na última quarta-feira (25), o jornal eletrônico Rondônia Dinâmica havia elogiado a postura do governador Coronel Marcos Rocha (PSL) em manter as deliberações do Decreto de Calamidade Pública a despeito de contrariar o posicionamento do aliado de primeira hora, o presidente Jair Bolsonaro, a respeito do tema.

Trecho da opinião veiculada pela redação e intitulada “Coronavírus: Coronel Marcos Rocha se ‘divorcia’ de Bolsonaro e trilha outro caminho para lidar com a pandemia em Rondônia” (clique aqui para ler) dizia o seguinte:

“Rocha foi eleito com garantias políticas simbióticas numa espécie de campanha reducionista ao maior estilo: ‘Eu sou ele, ele sou eu’. Desta feita, os corpos ideológicos se separaram e pela primeira vez em pouco mais de um ano o chefe do Executivo demonstra personalidade própria, sai da sombra do mandatário da União, deixa para trás a pecha de encastelado e assume a função de gestor”.

Bem, as considerações de ontem estão retiradas. Rocha voltou às redeas, retornando à condição de sombra política da figura ascendente que o alçou ao posto de chefe do Executivo estadual: perdeu o CPF como homem, descascou suas digitais como ser humano e mistutou seu DNA com o código genético embaralhado da desinformação. Isto tudo em menos de 24h.

Coronel Marcos Rocha ladeado pelo seu fiel escudeiro Fernando Máximo

Ao menos há um resquício mínimo de consciência, que não pode ser absorvido com certeza absoluta, pois as mudanças de ideia ocorrem de maneira dinâmica, aceleradíssimas e abruptas, sem mais nem menos, despidas de justificativa. Por ora, as escolas daqui não reabrem porque crianças e adolescentes, frisa o militar, funcionam como vetor do patógeno.

Fernando Máximo forno secretário escalado por Marcos Rocha para resolver a situação da saúde em Rondônia

A manifestação trazida à baila por este editorial é apenas por conta da flexibilização do Decreto de Calamidade Pública? Não!

A questão econômica do mundo todo, não só do Brasil, não apenas de Rondônia e muito menos exclusivamente voltada a Porto Velho é, sim, de suma importância: uma recessão sem precedentes poderia desencadear, inclusive, onda de violência tão forte e devastadora quanto qualquer epidemia, e sem prazo de validade.

Porém, e é aí que entra a crítica incisiva, o estafe do Palácio Rio Madeira contribuiu sobremaneira para o receio da população, forçando a histeria coletiva que hoje atribui à mídia e a alguns governadores. E o acautelamento, que é completamente diferente dos conceitos de pânico e/ou desespero, este sim que deveria perdurar por, no mínimo, os quinze dias consagrados pelo decreto, começa a se esvair com o aval do poder público pátrio, incluindo a benção de Rocha e seu time.

Traçando uma cronologia da chegada do vírus a Rondônia, é possível perceber, sem sombra de dúvidas, que os gestores estaduais estão completamente despreparados, e o governador do Estado é o responsável-mor tanto pela negligência quanto em relação à imperícia.

Na quinta-feira passada (19), Fernando Máximo usou a expressão:

“Não é pra ninguém ir pra shopping, não é pra ninguém ir pra teatro, cinema nem igreja, pelo amor de Deus!”.

Naquele mesmo dia foi confirmado o primeiro diagnóstico de Coronavírus no estado, o de Ji-Paraná.

Na sexta-feira (20), a Assembleia Legislativa (ALE/RO) aprovou o Decreto de Calamidade Pública editado por Marcos Rocha e os efeitos da quarentena passaram a valer a partir do sábado, 21.

A previsão legal era a de isolamento residencial e comercial (com poucas exceções) por ao menos quinze dias, prorrogáveis por prazo semelhante.

Quarenta e oito horas depois, já no dia 23, o chefe do Executivo estadual postou vídeo em sua página no Facebook (confira o post) com várias considerações, entre elas, as seguintes:

“[…] — É momento de coragem e inteligência. Momento de mostrar que Rondônia é grande e exemplo de inteligência e ordem para toda nossa nação.

— Quanto antes adotarmos medidas mais rígidas, mais cedo conseguiremos fazer o comércio e nossa vida voltar ao normal.

— É melhor essas medidas mais rígidas agora, durante 15/30 dias, para observamos e analisarmos a situação e depois reduzirmos a rigidez do Decreto, caso vejamos necessidade, do que tomarmos decisões quando estivermos em uma crise e colapso completo como na Itália.

— 1% a menos de mortos é muito. Pode ser seu avô, avó, mãe, pai, filho. […]”.

Na terça (24), o presidente apresentou pronunciamento em cadeia nacional defendendo o isolamento apenas para o grupo de risco, questionando, inclusive, o porquê de as escolas estarem fechadas.

Na quarta-feira (25), o Governo de Rondônia, então com menos de cinco dias de vigência do Decreto de Calamidade Pública, afrouxou as regras, mesmo após o “pelo amor de Deus” de Fernando Máximo e o “1% a menos de mortos é muito” de Marcos Rocha.

Ressaltando que uma discussão ampla, técnica e baseada em dados, informações estas que, até agora, não são colocadas de forma transparente pela turma do Palácio, é necessária; isto a fim de esclarecer os impactos do Coronavírus na saúde, na economia e na segurança pública.

A constatação é mais alarmante que os anúncios da patota administrativa: as patacoadas, é verdade, não ocorrem de má-fé, mas exortam uma preocupante incompetência para lidar com o extraordinário, ocorrências que eventualmente fujam à tranquilidade do cotidiano. Com os pulsos moles, Rocha e Máximo naturalmente flexibilizam não apenas o Decreto de Calamidade Pública, mas também, e especialmente, o zelo que os cidadãos deveriam ter para lidar com a crise, isto quando não alimentam a ansiedade das pessoas ao se manifestarem de um jeito num dia e mudando de ideia no outro.

Fonte: Rondoniadinamica


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