Caso Pé de Ferro: Major Vital explica sobre inviabilidade de busca e salvamento no Rio Madeira durante a cheia

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Porto Velho, RO – Um homem identificado apenas como “Pé de Ferro”, 70 anos, caiu no Rio Madeira nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (11). Militares do Corpo de Bombeiros foram ao local, porém, devido à vários fatores, o resgate do corpo tornou-se inviável.

Major BM Vital ladeado pelos mergulhadores do Corpo de Bombeiro Militar do Estado de Rondônia SGT/BM Nilmar, SGT/BM Tapajós e SGT/BM Elinei 

Conforme informações, o barco saiu do Distrito de Demarcação, no baixo madeira, e atracou no Porto do Rio Madeira, região do Cai N´água, antes do dia clarear. O passageiro Pé de Ferro, segundo testemunhas, estava muito embriagado e tentava atravessar do barco para a balsa. Algumas pessoas disseram para ele parar de tentar a travessia, porém, a vítima não deu ouvidos. Momentos depois, ouviu-se o barulho de algo caindo na água. Ao irem verificar, populares encontraram apenas o boné que Pé de Ferro utilizava. Neste momento o Corpo de Bombeiros foi acionado.

Em contato com o Major BM Vital, a reportagem apurou que o Corpo de Bombeiros chegou ao local pouco depois das 7h da manhã desta segunda (11). No local, populares informaram que não viram Pé de Ferro cair na água, muito menos o local exato onde o corpo teria caído. A equipe de militares que foi ao local fez análises de vários fatores e considerando alguns detalhes e situações, optaram por não realizar mergulho na área onde a vítima supostamente teria desaparecido, e listaram os motivos a seguir:

Considerando a profundidade do local do fato ser de 30 metros em diante;
Considerando a velocidade da água;
Considerando a grande quantidade de sedimentos e madeiras que estão descendo no rio e principalmente na área do fato;
Considerando já termos como experiência infelizmente a morte de um mergulhador do Estado do Amazonas no ano de 2015 quando o mesmo trabalhava nessa região e veio a ser atingido por um tronco de árvore na cabeça;
Considerando que a vida do mergulhador de resgate acima de tudo tem que ser a prioridade e sempre ficar em primeiro lugar;

Considerando que temos experiências e provas que a quantidade de candiru (conhecidos como urubu do Rio Madeira) na região é muito grande e em questão de minutos eles devoram qualquer tipo de ser que vem a se afogar nas águas;
Diante dos considerandos e do grau de risco elevadíssimo e da complexidade para efetuar o mergulho nessa região e principalmente do risco imensurável de diversas possibilidades de acidente que o mergulhador para exercer a buscar do cadáver ou qualquer bem que fosse naquela área, fica impossibilitado a realização do mergulho de resgate na localização, pois, coloca completamente em risco a vida dos mergulhadores.

Vale salientar que exercemos por diversas vezes mergulho na região, e não estamos nos eximindo, entretanto, tais mergulhos em épocas de seca e nas margens onde a correnteza é mais fraca, não corre muita madeira e não colocam em grau elevado de risco a vida dos mergulhadores de resgate.

Algumas pessoas questionaram sobre outros corpos (ou restos mortais) terem sido resgatados no Rio Madeira, como por exemplo, o de Wellison Sá, conhecido como Sarita da 7, fato este ocorrido dia 07 de março de 2020. Major Vital relatou que Wellison em uma área próxima à margem do Rio Madeira, com aproximadamente seis metros de profundidade, sem fortes correntezas ou arrasto de troncos de madeira.

O corpo de “Sarita da 7” foi encontrado na beira do barranco do Rio Madeira, onde tinha 6 metros de profundidade e pouca correnteza.

O Major Vital salientou ainda que é imprescindível que sejam analisados todos os cenários para que haja a execução de um trabalho seguro aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros. A área apontada como da possível queda da vítima tem profundidade superior a 30 metros, e os equipamentos dos militares permite mergulho de, no máximo, oito minutos, ou seja, pouquíssimo tempo para que haja a descida, busca e retorno à superfície. Ademais, o risco de um mergulhador ser atingido na cabeça por uma tora de madeira, causando desmaio ou até mesmo traumatismo craniano, é muito alto.

Levando em consideração todos os pontos analisados, os militares entraram em consenso e resolveram não mergulhar no Rio Madeira visando resguardar as próprias vidas. “Prefiro responder por não realizar um mergulho do que responder pela morte de um mergulhador, por não analisar os riscos e colocar a vida dele ou a minha em perigo”, finalizou o Major.

Fonte: Lente Nervosa


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