Após ser enganado Hildon Chaves vai empresa AstraZeneca entender o motivo do golpe de supostos “empresários”

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Centenas de prefeituras do interior do país podem ter caído no golpe da Montserrat Consultoria, que é de tecnologia da informação e não farmacêutica, e, que dizia ser intermediária da Ecosafe Solutions, com sede na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para vender vacinas da Oxford/AstraZeneca no Brasil. Na última quinta-feira a Polícia Civil do Rio fez uma operação em Recife, Pernambuco, onde fica a sede da empresa brasileira, para cumprir oito mandados de busca e apreensão contra os seus sócios. Eles ofereciam doses do imunizante a prefeitos ao custo de US$ 7,90 (R$ 44) cada uma.


Num primeiro momento, os investigadores acreditam que 20 municípios tenham caído no golpe. Entre eles, Porto Velho, capital de Rondônia. Entretanto, esse valor pode chegar à casa das dezenas. Agora, a polícia vai apurar quantas prefeituras foi prejudicadas e se elas chegaram a pagar algo para os golpistas.

Ontem, o prefeito de Porto Velho, Hildon de Lima Chaves (PSDB), esteve na sede Delegacia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) para se inteirar da investigação. O município comprou 400 mil doses no valor de 3 milhões de dólares, o que corresponde a cerca de R$ 18 milhões. As doses já eram para terem sido entregues. Segundo a Polícia Civil, a entrega também não ocorrerá, pois tudo se tratou de um golpe.
O esquema criminoso só foi descoberto depois que Mário Reis Esteves (Republicanos) , prefeito de Barra do Piraí, no interior do estado do Rio, desconfiou da fraude no contrato de 45 mil doses e informou à Polícia Federal. A Montserrat Consultoria havia alegado que a empresa americana Ecosafe Solutions tinha 500 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca por, supostamente, ter financiado os estudos para a produção dos imunizantes. A história, no entanto, era mentirosa.
– Fomos procurado por uma subrepresentante da empresa, de nome Fernanda, em Porto Velho e ela nos colocou em contato com a Montserrat Consultoria. Iniciamos todo o processo, que foi muito rápido. Chegamos até o ponto da expedição da carta de crédito no valor de U$ 3 milhões (aproximadamente R$ 18 milhões) que está no Banco do Brasil – explica o prefeito de Porto Velho em entrevista ao EXTRA.

Hildon de Lima Chaves não concorda em dizer que seu município caiu em um golpe. O prefeito diz que durante todo tempo tratou com o empresário de nome Eduardo (Henrique Meneses), um dos sócios da empresa.
– É equivocado dizer que a prefeitura de Porto Velho caiu em um golpe. Não nos foi solicitado nenhum tipo de pagamento antecipado. Eles prometeram que o valor só seria depositado depois da entrega. Sempre foi esse o discurso. E isso aconteceu com vários prefeitos lá da região. Eles me relataram que não foi pedido valor adiantado – diz o prefeito.
Entre os municípios que receberam a oferta estão os de Duque de Caxias, no estado do Rio, cidades do sul do país e vários municípios do interior de Rondônia. O EXTRA apurou que Ji-Paraná, Urupá, Ariquemes, Chupinguaia, Nova Mamoré, Pimenta Bueno, Guajará-Mirim, Cujubim e Ouro Preto do Oeste teriam fechado o contrato com o bando após a capital Porto Velho fechar assinar o termo de compra das doses. Segundo apurou a reportagem, os prefeitos dessas localidades teriam pedido informações ao prefeito Hildon Chaves sobre a suposta empresa de vacinas.
– Depois que fizemos a carta de intenção, nos reunimos com vários outros prefeitos, uns 15 ou 16, que queriam comprar também. Eles queriam informações. Além disso, no dia que fizemos a carta de crédito, o Eduardo disse que fez contratos com mais de 170 cidades país a fora – completou Hildon de Lima Chaves.

De acordo com uma nota do laboratório AstraZeneca, todas as doses em produção estão destinadas a consórcios internacionais, como o Covax Facility, e contratos com países, sem doses remanescentes para serem comercializadas com estados, municípios ou entidades privadas.
Segundo a Polícia Civil, o contrato apresentado pela empresa previa que as cidades realizassem o pagamento antecipado por meio de “swift” (remessa internacional) ou carta de crédito no momento da suposta postagem das doses em Londres, Inglaterra.
Após voltar de Pernambuco, o delegado Thales Nogueira Cavalcante Venâncio Braga, titular da DCC-LD, afirmou que “nenhum contrato que desse indício que a empresa vendesse vacina foi encontrado no escritório” da Montserrat Consultoria.
– Não foi encontrado nenhum contrato, nenhum papel de vacina ou informações que pudesse dizer que eles representavam a AstraZeneca no Brasil. O escritório parecia que é de coworking (um espaço onde várias empresas compartilham do mesmo ambiente). Se existia algum contrato, era tudo virtual. Seria muito difícil uma empresa que diz ter 500 milhões de doses e não ter nenhuma documentação, nenhum folder ou prospecto para apresentar aos clientes – diz Thales.
– Pela tal quantidade de doses oferecidas, eles não deveriam estar negociando como prefeituras pequenas. Eles deveriam estar fechando contratos com a União, como o Governo Federal. Não me parece plausível o que eles fazem.
Após operação, empresário entrou em contato com prefeito de Porto Velho
Em entrevista ao EXTRA, o prefeito de Porto Velho afirmou que logo depois da Operação Sine Die — sem data, em latim -, o empresário Eduardo Henrique Meneses entrou em contato e afirmou que vai entregar as doses.
– Ele ligou e disse que o contrato está de pé. Está valendo. Disse que vai entregar o material até meados de maio. Daremos um prazo de uma semana, até a próxima sexta-feira, para que eles nos entreguem a documentação pedida. Caso contrário, vamos cancelar o contrato. Isso tudo é muito frustrante, caso seja verdade – lamentou o psdebista.
Fonte: Extra, O Globo


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